São pensamentos sobre assuntos variados e que não formam uma unidade, mas como gostaria de deixá-los registrados, para uso futuro, resolvi criar esta página. ;-)
São textos em um forma muito bruta e apenas anotei-os para evitar que as idéias se perdessem.
Comentários sobre eventuais exageros ou mal compreensão minha de alguns dos tópicos serão bem vindos.
Escola formativa x informativa
Vejo a divisão do ensino separada nestas duas abordagens.
Informativos são os cursos que transferem aos alunos o conhecimento de outras pessoas ou registrados em livros, por exemplo. A escola informativa, poderia, teoricamente, ser substituída pela leitura de livros: quem descobriu o Brasil, quando, porque, etc.são informações registradas, muito adequadamente nos livros. E claro que a transmissão através de professores tem a vantagem de ser mais confortável para os alunos além de permitir um encadeamento mais "lógico" dos conhecimentos, adequando-os à própria maturidade dos alunos.
Por outro lado, os cursos formativos, formam (ou ajudam a formar) o caráter, a personalidade e a inteligência dos alunos. Desenvolvem seu emocional, seu gosto artístico, seu comportamento, etc, ajudando na formação da visão e compreensão que terão do mundo que os cerca.
Tenho a impressão que as escolas, em geral, dão ênfase no processo informativo e somente secundariamente ao processo formativo. Imagino que ao preparar uma prova ou teste, seja mais fácil redigir questões que visem "verificar se o aluno compreendeu que Portugal tinha o domínio dos mares" do que questões como "verificar se os alunos compreendem o que é respeito a outros povos" ou "verificar se os alunos melhoraram sua compreensão sobre a honestidade".
Acho que o Logo atua muito mais como instrumento de apoio à abordagem formativa. Atua no aparato cognitivo dos alunos
e com isso melhora sua capacidade de compreensão do ambiente em que estão inseridos. É, portanto, muito útil para a complementação educacional de crianças e jovens.
Logo como linguagem escrita
Dois comportamento gerais das pessoas têm me perturbado ao longo dos anos: a falta de objetividade e a falta do
hábito de leitura e escrita.
Me parece que os profissionais com quem trabalhei (excluindo as exceções) não cultivam o hábito de ler: nem manuais, nem atas de reunião, nem textos de lei.
O fato de o programa Logo ser escrito, e somente funcionar, ou realizar o desenho, se estiver corretamente grafado e
com os comandos na ordem adequada, induz ao aluno a percepção de que a escrita e leitura são essenciais para a obtenção
do resultado desejado.
Com isto também acho que induz ao desenvolvimento de objetividade, focando um resultado e buscando atingí-lo, sem desvios.
É interessante que a própria linguagem, ao ser muito simples, evita rebuscamentos, que poderiam distrair, e é adequada à manutenção do foco no desenho desejado.
Simplicidade do Logo
Aqui faço uma defesa de deixar o Logo uma linguagem simples.
Já vi diversas implementações com um sem número de comandos sofisticados, ao exagero de comandos para cálculo de arco-tangentes, ou o desenvolvimento, em Logo, de um compilador (que é uma coisa complexa).
Vejo nesta sofisticação exagerada alguns problemas:
- considerar o Logo como linguagem de computador para uso genérico. Devia ser usada para o ensino. Para usos sofisticados existem linguagens de computador mais adequadas, como Delphi, Cobol, Visual Basic, etc.
- ao torná-la muito abrangente complica-se demais seu aprendizado. Pode-se pensar no vídeo cassete: quão mais simples seria caso não tivesse tantas opções de gravação, calendário, tipo de fitas, slow motion, etc. Você já aprendeu a programar o seu vídeo-cassete?
Você teria coragem de ler um manual de Logo com 200 comandos? - tudo na vida tem limites e a linguagem Logo não é exceção. Se o aluno já consegue efetuar os desenho, já consegue criar comandos novos, já consegue realizar, com domínio, os projetos a que se propõe, então o Logo já cumpriu o seu papel. Se os novos projetos são de maior envergadura, faz parte do aprendizado entender que nova ferramenta deverá ser usada (usar uma outra linguagem). Comparando: o aluno deve perceber que um fusca carrega 5 pessoas, para carregar 40 vai precisas de um ônibus, que exige uma habilitação de motorista profissional. O Logo é o fusca nessa comparação.
- o Logo destina-se ao apoio na formação de crianças e jovens. Quando um jovem possui maturidade suficiente para entender arco-tangentes acho que ele está além dos pré-requisitos para usar o Logo. Me questiono se o uso do seno já não é um exagedo, embora uma senoide colorida é muito bela...
Um último item é a análise da animação. Ora, o Logo baseia-se no trajeto percorrido pela tartaruga. Animações, como uma borboleta voando, são belas e atraentes, mas acho que atrapalham a análise de encadeamento de comandos e, pela beleza, distrai os alunos. Neste ponto tenho dúvidas sobre quanto de animação (ou sons) seriam didaticamente interessantes que constassem de um software de Logo.
Ensino do Word para Windows
Acho completamente inadequado ensinar-se Word (ou similares) para crianças, como um fim em si: aprender informática.
Dúvido que escrevam melhor um conto ou uma carta somente porque sabem Word. Muito provavelmente deixarão de memorizar que palavras têm acento - o Word conserta ou avisa o erro. Provavelmente se distrairão do texto em si buscando apertar os botões para entender sua utilidade.
Quando chegar a próxima versão do programa Word, ainda não saberão escrever, e terão de reaprender o que sabiam no
uso do software: tempo perdido.
Darwin e Galileu
Estes sábios mudaram nosso mundo, mas sofreram muito porque contestaram verdades absolutas, da época.
Hoje em dia se percebe que não se devem ensinar dogmas aos alunos. Não existem mais verdades absolutas, todas estão sempre ligadas a algum contexto.
O Logo quando permite ao aluno desenhar seu projeto de diversas formas, algumas boas, outras melhores, outras piores, transmite a idéia de que, na solução de problemas, existem diversas alternativas, e não uma solução única e limitante.
Preconceitos
De toda a informação que recebemos, algumas transformam-se em novas aprendizagens (novos conceitos). Para isto são selecionados (filtrados) pelos conceitos e conhecimentos que obtivemos anteriormente, os preconceitos.
Podemos entender que uma explosão é uma queima extremamente rápida porque já sabemos o que é "queimar" e o que é "extremamente rápido". Então os conceitos anteriores são os que moldam os novos conhecimentos. É muito claro que um aluno que conheça bastante bem aritmética tenha facilidade em aprende álgebra. Contudo, estes novos conceitos e conhecimentos adquiridos vão se acumulando e tornando cada vez maior a espessura de análises e critérios pelos quais um novo conhecimento tem que passar para ser aceito.
Os preconceitos dificultam a aprendizagem,reduzindo o que se aprende!
Os preconceitos são frutos da aprendizagem.