Estas web-páginas se propõem a acabar com o desconhecimento. Já a rejeição acho que é fruto do medo de novas técnicas de ensino...
Sou engenheiro e não pedagogo, mas como tenho alguma experiência em ensino (para adultos), me permito alguns comentários que representam meu pensamento, embora talvez possam ser heréticos, imprecisos ou conflitantes com posturas educacionais aceitas pelo senso comum.
Com o ensino do Logo, deve haver uma procura de respeito aos interesses e ideias dos alunos, incentivando-lhes participação. Hoje, sem dúvida, os alunos gozam de muito maior liberdade dentro das salas de aulas, mas acho que ainda é necessário ampliar-lhes a participação.
Entendo que quanto maior a participação do aluno em aula, melhor estará adequando-se para o aprimoramento de suas capacidades intelectuais. E isto conduz a uma valorização do aluno também como cidadão.
Eu vejo o ensino do Logo realizado da seguinte forma:
Inicialmente o mestre, ou facilitador, deve ter uma participação ativa e expositiva do Logo. Mas nada de teorias e conceitos, apenas uso do programa (o programa TartaLogo pode ser baixado destas páginas), principais comandos e alguns exemplos. Nesta fase inicial os seguintes objetivos devem ser buscados;
- familiarizar os alunos com o computador (quando isto for necessário);
- familiarizar os alunos com o programa Logo;
- mostrar-lhes as possibilidades estéticas e caminhos a tomar ao imaginar novos desenhos;
- criar uma postura pro-ativa que gere interesse pelo uso do programa;
Claro que o mestre tem uma função complexa nesta etapa, pois como as classes sempre têm personalidade própria, requerem dedicação para encontrar a melhor abordagem na seleção de exemplos que interessem aos espectadores e atraiam-lhes a atenção.
Em uma segunda fase, os alunos devem imaginar e propor os desenhos que farão e ter liberdade "total" para realizá-los, em equipe ou sozinhos. Estes desenhos são conhecidos na literatura como projetos. Ao alunos deve ser permitido, também, o abandono do desenho e a mudança para outro que seja selecionado.
Aqui, o mestre deve limitar sua atuação ao apoio à realização dos desenhos:
- explicando os comandos e como usá-los;
- induzindo o aluno a localizar pontos de aprimoramento dos desenhos. Os alunos devem aprender a localizar, de per si, os erros e a corrigí-los. O mestre não deve dizer onde mudar, como mudar, etc.
- auxiliando na solução de conflitos quando os desenhos/projetos estiverem sendo criados em equipes;
Algo muito importante é evitar limitar os alunos à simples reprodução de desenhos. Vale induzí-los a colocar mais uma janela ou chaminé numa casa, por exemplo.
Ressalte-se que o nível de evolução e qualidade dos desenhos realizados é muito variado e portanto a manutenção do espírito competitivo, sem que hajam frustrações ou esnobismos, é tarefa deixada ao mestre.
A terceira fase, que deve ser bem situada pelo mestre, é quando já há domínio pelos alunos dos comandos básicos. Nesta fase, que poderá ocorrer junto com a segunda para alguns alunos da turma, são apresentados outros comandos.
Existe alguns comandos mais complicados, desde pintar o desenho, até o uso de seno e co-seno que devem ter seu ensino adequado ao grau de maturidade dos alunos.
O mais importante a ocorrer nesta fase não é exatamente o uso de comandos novos, mas sim a criação de novos comandos.
Esta é a grande riqueza do Logo: o aluno poder criar novos comandos de uma forma muito simples. Por exemplo criar um comando chamado RODA para facilitar o desenho de um caminhão com muitas rodas. Esta característica somente fica clara para você que já utilizou o TartaLogo e sabe criar um comando ;-)
Porque eu acho que ocorre uma nova postura de ensino? Ora, ensinar Logo exige do mestre que:
- domine o uso da linguagem Logo;
- saiba expor o uso de um programa de computador;
- saiba gerar motivação;
- saiba ficar atuando como suporte aos alunos, abstendo-se de ser o centro das atenções como são as aulas expositivas típicas;
- saiba manter a motivação e a ordem em um ambiente onde há muita liberdade de criação.
Me parece que, embora esta nova postura traga dificuldades, são superadas com alguma facilidade. A nova postura inclui:
Aprender a usar o programa talvez seja coisa relativamente simples - o início é sempre assustador, mas o fato de a linguagem ser muito atraente e simples ajuda demais o mestre no seu aprendizado preparatório.
Expor o uso do programa é tarefa fácil para a maior parte dos mestres pois para isto têm sido formados ao longo dos anos: expor funcionamento de máquinas...e os programas são similares ás máquinas.
Gerar motivação. Esta tarefa não encontra dificuldade, pois alunos jovens adoram computadores e a motivação dos próprios alunos realimenta a motivação do professor criando um círculo virtuoso.
Mas neste caso professor tem que dar suporte à motivação trazendo ideias, conceitos e filosofias, externas ao uso da tartaruga, para enriquecer os conhecimentos dos alunos. Sugerir novos desenhos ou variações dos já realizados, sempre tendo em mente algum aprimoramento conceitual dos alunos.
Atuar como facilitador e dar suporte ao aprendizado dos alunos. Este sim o item de maior dificuldade, principalmente para os mestres que nunca deram aula de pintura. Vejo uma aula típica de uso do Logo como uma aula de pintura com guache espalhado pelo chão... ;-))
Sendo este o maior problema, a troca de experiências entre mestres poderá ajudar muito na sua superação. Pretendo colocar nestas páginas algumas que tratem do assunto, juntando as sugestões que me forem enviadas.
Por último, já que estamos tratando de mudanças de postura, gostaria de dizer que não acho que a tarefa de ensinar Logo deva ser deixada para professores de matemática/aritmética/geometria. Ao contrário, outros professores, com um pensamento menos cartesiano talvez sejam muito mais recomendáveis. Mas tenho certeza de que Logo atrai, por sua beleza, muito mais facilmente, os professores de matemática...